Mostrando postagens com marcador Devaneios. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Devaneios. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 13 de julho de 2010

Falidas (arremedos)

Há tempos que não quero as palavras. Decretei sua falência. (Sua = delas, as palavras.) Decretei não, constatei. Falidas.
Das imagens é que gosto agora. A Sabedoria sempre soube. Valem mais do que mil palavras. 

As linguagens não-verbais, diz aos alunos o professor, como se as verbais tivessem nascido primeiro.
Faliram - falharam - antes de nascer. Querem dizer mas sempre fica faltando. Fica faltando dizer que.
Desisti.

(A Mona Lisa. O Baco adoentado.)

[Le Petit Lenormand espalhado sobre a mesa.]

{Um postal com uma igreja velha das Filipinas que não parece igreja e uma música frenética - em espanhol - da australiana quarentona tocando. Los amores no se comparan.}
Verbum carum factum est.



quinta-feira, 18 de março de 2010

Mini Lady Gaga - A Pequena Miss Sunshine brasileira (e verdadeira)

Eu estava por acaso assistindo ao programa "Qual é o seu talento?" justamente na hora em que entrou em cena a "Mini Lady Gaga", como ficou conhecida a menina de 8 anos que lá se apresentou cantando "Bad Romance" e "Paparazzi", maquiadíssima e vestida como a intérprete original.

Imediatamente associei-a à personagem do filme "Pequena Miss Sunshine", em sua surpreendente apresentação naquele concurso de pequenas misses. 

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Pour moi (ou Incorporando)

Ando sem vontade de escrever aqui. Aliás, sem vontade de quase nada. Já é outono, o inverno quer se anunciar. Não deveríamos também hibernar? Algum de meus genes diz que sim.
Hoje eu só queria incorporar ao blog este clipe da Enya, que é tão singelo e cuja canção é simplesmente tocante. O clipe me passa a idéia de alguém estagnado, que assiste à passagem do tempo sem saber o que fazer com ela, sem reação mas sem desespero, contemplativamente. Mas procurei, procurei, e só achei essa versão remix do clipe. (Eu adoro a parte da música que é assim um "nãrararê, nãrare, nirurarare...")




O blog é como um corpo. Um corpo que vai incorporando (em que vou incorporando) coisas. Ele é mais para mim do que para outrem.
Ninguém vai entrar aqui e assistir ao clipe da Enya. O clipe está aí para mim. Assim como os contadores de visitas, os "blogs que leio", onde vejo os que foram atualizados e que posso espiar, e até o layout. É um corpo virtual, com coisas qui me plaisent. E agora me agradaria hibernar um pouco, donc... Who can say where the road goes where the day flows Only time And who can say if your love grows as your heart chose Only time Who can say why ...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

O fim do mundo já passou

Os milenaristas do final do século passado tinham razão. Confirmou-se sua tese de que o mundo acabaria na passagem de um milênio para o outro. Talvez muitos nem tenham percebido, mas aquele mundo terminou mesmo. Não desapareceu de uma só vez, mas findou-se aos poucos.

Lá por 95 as coisas começaram a dissolver-se, esfumaçar-se. O mundo foi sendo povoado por presenças ausentes e ausências presentes, vozes onipresentes, olhos oniscientes, corpos fantasmagóricos e fantasmas corporeificados, textos sem autor e autores sem texto.
Em 97 o fim era iminente. E em 98 o Fim começou a exterminar o que havia. Em 2001 tudo estava consumado.




Eu devia ter morrido em 97

Tenho quase certeza que eu não sou daqui.

.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Morte anfíbia

Hoje quando acordei senti um desconforto na garganta. Como se houvesse algo intalado lá dentro. E realmente havia. Quando abri a boca, lá de dentro saltou um sapo. Um sapo gordo, verde e gosmento. Um nojento e repulsivo sapo. Como ele foi parar lá dentro não sei. Só sei que quase vomitei, pois sempre tive asco e até medo desses animais feiosos. Ele saltou, caiu no chão e olhou ao redor. Olhou para mim, e olhei para ele. Foi então que notei que havia algo amarrado às costas do sapo. Um papel amarelado e dobrado. Intrigado, aproximei-me do sapo para tentar pegar o papel e descobrir do que se tratava. Seria uma carta, um bilhete, talvez um prêmio de loteria?
Mas foi em vão. Ao perceber minha aproximação, o sapo saltou para longe, assustado. Foi pulando em direção à janela e escapou. Corri para a janela. Não avistei mais o anfíbio. Ia já desistindo de saber o que haveria no papel, quando o enxergo no chão da calçada. Ao passar pela grade de proteção da jenela, o papel devia ter se enroscado e se desprendido do corpo do bicho. Corri lá para fora, peguei o papel e o desdobrei. Era uma folha de caderno grande. E nela estava desenhado a caneta um mapa. Um mapa de meu bairro! Reconheci os nomes das ruas e vi assinalado com uma cruz em vermelho o local correspondente à minha casa. Além disso, havia outro local assinalado com uma cruz e a palavra "paraíso". Eu não tinha certeza, mas parecia-me que esse outro lugar marcado correspondia a um grande terreno desocupado, onde há campo e alguns remanecentes de mato.
Depois de tomar apressadamente meu café da manhã, resolvi ir verificar se minha impressão era verdadeira. Tomei o mapa e segui a orientação pelos nomes das ruas ali indicadas. Foi fácil chegar ao local indicado como "paraíso". Era realmente onde eu pensava, não muito longe de minha casa.
Fui entrando naquele terreno com uma leve sensação de que algo de diferente aconteceria. Há uma estradinha que desemboca na rua e que leva ao campo. No fim da estradinha, há um pequeno riacho que é preciso atravessar para continuar o caminho. Algumas pedras servem de ponte para essa travessia. Quando pisei na segunda pedra, desequilibrei-me, caí e bati violentamente a cabeça em outa pedra. O choque foi tão grande que fiquei desacordado, com a cabeça submersa sob 30 centímetros de água daquele ridículo riacho. Morri afogado e quase sem dor. Morri sem saber os porquês daquele sapo em minha garganta, daquele mapa naquele sapo e daquele "paraíso" escrito no mapa.
Mas como, então - se perguntará o leitor que tiver chegado até esse ponto da narração - como então ele pode estar narrando essa história, se morreu antes que pudesse contá-la? Esse mistério é de fácil solução. Acontece que, antes de sair de casa, tive um pressentimento de que algo de fatal se passaria comigo nessa minha saída. Prevenido que sou e para que os motivos de estar nesse lugar na hora de minha morte fossem conhecidos de todos, escrevi de antemão minha bizarra sina que o leitor acaba de acompanhar.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Fora do tempo

Até agora há pouco (são 17h51min) eu jurava que hoje era feriado. Achei que fosse hoje Sexta-Feira Santa. Ontem fiz compras no supermercado pensando no feriadão. Bem que achei estranho que o vizinho da frente, que tem uma eletrônica de conserto de televisores, estivesse trabalhando em pleno feriado. Quando olhei o calendário descobri que o feriado é só semana que vem. Surreal, não? Ando numa misantropia tamanha que só vejo a passagem do tempo pela programação da TV. (Lembrei do Homer Simpson perguntando-se como saberia em que hora do dia ele está sem a televisão).
Ontem quase postei um texto falando de Quinta-Feira Santa, inspirado pelo filme do Cazuza que passou na TV e me lembrou de Jesus, fazendo-me pensar em vida e morte. A preguiça impediu-me. Como semana que vem não haverá Cazuza na TV, esse texto está cancelado...
Mas então domingo nem é Páscoa!!! E eu que já comi os chocolates todos!!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Dois gatinhos e uma pintura

No meu perfil do postcrossing (site do qual já falei aqui), entre minhas preferências de tipos de postais coloquei gatos e e obras de arte, além de várias outras. Hoje recebi dois postais. Um foi este, vindo da Finlândia, com estes amáveis bichanos.


E o outro, enviado por uma finlandesa que mora na Suécia, traz uma pintura de uma artista do país natal da remetente, chamada Saija Hairo. O quadro chama-se "Raskasta ja kevää", que significa "Pesada e só", segundo o Google Tradutor. Gostei imenso destas cores e da combinação entre elas (o cartão-postal tem exatamente este tamanho):

Cada vez mais, simpatizo com esse lugar chamado Suomi, que de tempos em tempos me manda coisas simples e belas em papel cartão.

Fazia tempo que eu não mostrava postais recebidos. Os Correios brasileiros estão lentíssimos desde o final do ano passado. Por causa disso, os postais enviados daqui demoram meses para chegar a outros países e, por conseguinte, tenho recebido postais com muito menos freqüência.

terça-feira, 24 de março de 2009

A cidade do mofo

Naquele quarto tem uma caixa cheia de papéis cujo cheiro de mofo me faz espirrar quando neles mexo. A prova nota dez em Sintaxe da qual nada mais lembro. O registro da perda de tempo em diagramas arbóreos, acusativas declinações latinas que para nada empregarei, os ensaios literários ingênuos e arbitrários (para não dizer óbvios), masculino e feminino em Um copo de cólera, a visão do indígena em Caramuru. Tudo cheira a mofo.
Em Pelotas tudo mofa. Os papéis, as casas, e eu.

terça-feira, 17 de março de 2009

Clodovil, morte sentida

De tantas mortes choradas coletivamente, a do Clodovil é especialmente significativa.
Foi-se um ícone do século passado que permaneceu até nossos dias. Ícone da contradição, da controvésia, e, sobretudo, da sensibilidade. Clodovil era a sensibilidade ao extremo, a sensibilidade sem limites, a sensibilidade que a tudo domina. Homem mais feminino do que muita mulher e com mais hombridade que muito machão.
Foi-se mas fica, impregnado que estará no inconsciente coletivo do povo. Foi-se, espantosamente, no dia do aniversário de Elis Regina, cantora de cuja amizade ele tanto se orgulhava e de quem tão freqüentemente falava. Assume, ao lado dela, seu posto na eternidade de nosso imaginário.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Memória olfativa

No supermercado, na hora de passar no caixa, a moça comia daquelas pipocas prontas, aquelas pipocas doces, de pacotinho vermelho.
(No supermercado perto de casa a moça sempre come alguma coisa enquanto trabalha. E os funcionários usam as geladeiras dos refrigerantes e cervejas para guardar seus lanches. Às vezes você abre o refrigerador e lá está um pratinho de plástico com um pedaço de bolo, ou um sanduíche mordido.)
Mas nesse dia a moça comia daquelas pipocas, que nunca descobri como são feitas. (Ingredientes: milho canjicado e açúcar) Pipoca mesmo não é. A textura parece de isopor, o gosto é simplesmente doce e o cheiro...
O cheiro me levou subitamente a alguma tarde perdida da década de 80, nuvens escurecendo o céu, tarde molhada, chuva e sala de aula cheia de guarda-chuvas pingando, botas de borracha e recreio com brinquedos sem pátio. E no barzinho da escola sempre tinha aquelas guloseimas, aquelas pipocas falsas que espalhavam seu cheiro doce pela sala.
No dia seguinte comprei por impulso um pacotinho daqueles pra mim. O gosto, a textura e o cheiro são imutáveis. (A Pipoca Beija Flor é lider absoluta de mercado. CROCANTE E DOCINHA, ela é produzida a partir da seleção das melhores matérias primas existentes no Brasil. Não tem gordura, colesterol ou conservantes. Afinal, é produzida especialmente para quem cuida da saúde e do corpo. Tem baixo teor de calorias, sem abrir mão de ser SABOROSA.) A diferença é que agora ela tem seu próprio site.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A escola do Manoel Carlos e a escola da Glória Perez

Em duas das telenovelas exibidas atualmente na Globo há tramas paralelas que se passam em escolas: "Mulheres apaixonadas", do autor Manoel Carlos, em reprise no horário vespertino, e "Caminho das Índias", da autora Glória Perez, que estreou há cerca de um mês às 21 horas. É curioso notar a grande discrepância existente entre as duas: são dois retratos absolutamente distintos a respeito do ambiente escolar.

A escola de Manoel Carlos é o local de trabalho dos sonhos de qualquer professor: um rico colégio particular com toda a estrutura necessária, uma diretora compreensiva e dedicada e pais de alunos que comparecem sempre que necessário a qualquer chamado da instituição. Mas o que mais chama a atenção é comportamento dos estudantes, invariavelmente interessados e envolvidos com as aulas e respeitosos para com colegas e educadores, a cujos conselhos chegam a recorrer para solucionar problemas de ordem pessoal. A escola de Manoel Carlos é a escola ideal, que só existe no mundo fictício desse autor e no sonho dos docentes.

Já a escola de Glória Perez é mais parecida com o local de trabalho da grande maioria dos profissionais da educação. Embora não se trate de uma instituição pública e, portanto, seja uma escola com a necessária (e ausente da maioria das escolas) infra-estrutura, há graves problemas aqui. A maioria dos alunos apresenta um comportamente incompatível com o ambiente de estudo. E essa incompatibilidade não advém de conversinhas ou da agitação típica dos adolescentes. O buraco é mais embaixo. O problema está na total indiferença desses jovens para com valores como "educação", "respeito", "civilidade" e "coleguismo". São conceitos inexistentes na mentalidade deles, uma vez que a criação que receberam de seus pais não os incluiu. É uma geração totalmente direcionada para o sucesso individual e material, sucesso que não necessariamente resulta do estudo e da abnegação pessoal, uma vez que há caminhos mais fáceis para consegui-lo. Para que serve a escola então? E os professores, por que ouvi-los e respeitá-los, se o fato de se encontrarem nessa profissão revela unicamente que são fracassados?

O que é realmente terrível na novela é o fato de que os pais do aluno que encarna todos os sintomas da enfermidade social acima descrita posicionam-se sempre favoráveis ao filho e contra a escola e os educadores. Para eles, a culpa é dos professores, que são despreparados, incompetentes e cerceadores da liberdade dos jovens.

Esse comportamento dos pais do Zeca parecia-me um tanto inverossímel. Mas mudei de idéia após ler no blog de Glória Perez uma discussão que se instaurou sob forma de comentários a um post nos quais pais indignados com a autora por estar "demonizando os alunos e santificando os professores" despejam toda a sua revolta contra ela. Exatamente como fazem os pais do Zeca na novela em relação às professoras. Qualquer semelhança não é mera coincidência... Não é à toa que a procura por cursos de licenciatura diminui a cada ano e a crise no sistema educacional só se agrava. Só sendo louco para se aventurar a entrar no verdadeiro caldeirão em que se transformou o ensino: a escola reproduz de modo dramático todos os conflitos e contradições da sociedade, e, por isso, está a explodir.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Jesus usaria Botox?

Quem assiste à TV Globo pela antena parabólica certamente já viu (e provavelmente se irritou com) as freqüentissíssimas propagandas da coleção de CDs do "maravilhoso, poético e encantador Padre Fábio de Melo". A Veja dessa semana traz uma matéria sobre ele e outros "artistas" religiosos (é só clicar AQUI para lê-la). Matéria que, sem querer, explica muita coisa: o tal padre é o novo grande produto da indústria fonográfica brasileira. Um "artista" cuidadosamente construído, planejado e embalado para presente. Exatamente como aquela outra cantora, a Claudia Leitte.
Dentro da matéria da revista há uma indagação de um "estudioso" - estudioso de quê? a revista não diz... - muitíssimo interessante:
Um padre com imagem sexualizada é algo espantoso. O que virá a seguir?
Mas para mim há algo ainda mais espantoso: é o tipo de "imagem sexualizada" que esse padre representa. Não se trata de uma sexualidade transgressora, de rebeldia contra normas hierárquicas ou quebra de tabus. Pelo contrário. É uma imagem que canoniza os símbolos da superficialidade contemporânea, da sedução que tem como recursos os artefatos só proporcionados pelo dinheiro, sejam as picadas de Botox, o relógio Diesel (eu nem sabia que tal marca existia, pra mim Diesel era só nome de combustível até ler a matéria), ou as roupas de grife. Em suma, uma sexualidade que se baseia no fetiche da ostentação, logo, lucrativa e em plena consonância com o sistema.
Diz a Veja que o reverendo é mestre em antropologia teológica. Fiquei curioso para ler algum de seus livros e descobrir que tipo de discurso ele utiliza para compatibilizar sua imagem com a imagem nada glamurosa apresentada pelo Jesus dos evangelhos, aquele profeta errante, maltrapilho, declaradamente pobre e de fala por vezes agressiva.
Fica a irresistível pergunta:
Se Jesus vivesse atualmente, ele usaria Botox?

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O bilhete (ou O Anjo que registra)

Há algumas semanas, andando por um lugar ermo de Pelotas, encontrei no chão uma folha de caderno pequeno, dobrada em 6 partes. Peguei-a do chão e descobri um bilhete. Guardei-o. Um bilhete não pode ficar ao léo. A Catia não deveria tê-lo deixado assim, ao alcance de um profanador de intimidades. O bilhete agora está sob minha posse e aqui ficará registrado, enquanto o blogger existir.
Em uma letra miúda (provavelmente de homem), indecisa entre cursiva e de imprensa, escrita com Bic azul, no centro da folha, o texto, cuja diagramação reproduzo tanto quanto possível:

Catia
Espero que ao chegar
Em casa voces estejam
todos muito
Bem.
Porque que eu estou
Bem e vou chegar
aí melhor ainda.
Beijao Amo Voces
Ass
Ilegível
Responda o que se pede:
1. Quem será ele, o autor?
2. Qual será sua relação com Catia? E quem serão os outros "vocês"?
3. Onde estaria ele ao escrever? E onde estaria ela?
4. E como o bilhete chegou às mãos de Catia? (Ou não chegou?)

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Até logo, Pantanal!


Terminou há pouco o último capítulo de mais uma (a terceira) reprise da novela Pantanal, da extinta Rede Manchete, dessa vez exibida pelo SBT. Fazia um tempinho que eu não acompanhava uma novela assim, de cabo a rabo e com entusiasmo. Vou ter saudades de Pantanal, confesso. Saudades do Zé Leôncio, da Juma, da Maria Bruaca, da Filó, da Muda, da Irma, do Tadeu, do Alcides, do Véio do Rio... Eu gosto de novela. Novela é diegese pura (seja lá o que isso signifique). Pena que as atuais sejam tão ruins. (Espero que a da Glória Perez, que começa segunda-feira que vem, valha à pena.)

Pantanal conquistou-me, antes de tudo, por ser de outra época. 1990 é outra época, é passado distante, e deu pra ver isso claramente assistindo à novela: os cabelos, as falas, até a publicidade dentro da novela denunciavam a época a todo instante. Mas conquistou também por ser uma boa história, com belos cenários, bela trilha sonora e bela direção. Não é à toa que foi bem no ibope, mais uma vez. Soube que o último capítulo teve excelente audiência, mesmo concorrendo com a estréia de mais um Big Brother. O que não deixa de ter um forte valor simbólico. A novela de 18 anos atrás concorrendo com o programa que pretende ser o signo da atualidade.

Se a novela começasse a ser exibida de novo amanhã, eu veria novamente. Com certeza ainda será reprisada daqui a alguns anos. Por isso... até logo, Pantanal!

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Descarga

Eu às vezes ando por aí criando textos, que vão ficando na minha cabeça enquanto tenho preguiça de digitá-los. Então de repente sento-me e simplesmente descarrego-os no teclado. Teria mais uns 3 para hoje. Mas ficarão para a próxima descarga, se nenhum arquivo se corromper... ou já estariam todos corrompidos por natureza?

Ecologicamente enganoso

A nova moda que chegou aos supermercados por aqui é a de incentivar os clientes a trocarem as sacolas plásticas por uma "sacola ecológica", de tecido, para levar as compras para casa. Parece-me que os únicos beneficiados com isso são os próprios supermercados. Vou dizer por quê.
Os supermercados já começam lucrando: as tais sacolas de tecido são vendidas por eles e não oferecidas como brinde ao cliente. Além disso, eles aumentariam seus lucros não precisando mais oferecer sacolas plásticas ao cliente.
O cliente, como vimos, já começa tendo que comprar a sacola de tecido. E continua tendo mais prejuízo depois. Ora, todas as pessoas que conheço utilizam as sacolas plásticas dos supermercados para embalar o lixo doméstico e descartá-lo. Sem as sacolas plásticas, será necessário substituí-las por sacos de lixo... que deverão ser comprados nos supermercados!
E para o meio-ambiente nada muda, afinal as sacolas serão substituídas por sacos de lixo, também feitos de plástico, trocando-se seis por meia dúzia.
Não vou aderir à campanha. Não é porque as sacolas são verdes e chamam-se "ecológicas" que elas trarão algum benefício. Para mim é só um caso de propaganda enganosa mesmo.

Sinal dos tempos

Minha recente viagem a Tapera (minha provinciana cidade natal de 10 mil habitantes situada no norte do Rio Grande do Sul) rendeu-me uma curiosa e extravagante descoberta, reveladora de uma grande revolução em curso por lá: deparei-me com um grupo de travestis na praça central da cidade. O que pode parecer banal para o habitante de um grande certo urbano é algo realmente digno de nota em se tratando de Tapera.
O mais surpreendente é a (pelo menos aparente) pacífica convivência entre os travestis e os demais cidadãos locais. Nas noites de sábado e domingo, especialmente durante o verão, é para a praça que se dirigem muitas famílias taperenses para fazer seu passeio, tomar um sorvetinho e apreciar o movimento. E para a mesmíssima praça acorrem esses 5 ou 6 travestis.
Não resisti: fui bater um papo com eles e acabei fazendo amizade e ouvindo histórias deliciosas sobre os bastidores da cidade. Dentro do grupo estava um rapaz de 17 anos, com seus cabelos compridos, roupas femininas, um inconfundível gingado ao andar e uma história de vida surpreendente. Professor de dança na escola municipal e aluno do curso de Magistério no Ensino Médio conservadoríssimo de Tapera. Ele é provavelmente o habitante mais inteligente de Tapera nos tempos atuais. Tempos diferentes daqueles em que eu vivia por lá e que mostram que a revolução invade até mesmo os pacatos municípios interioranos. Revolução feita não pelos donos da cidade nem pelos mestres das escolas, mas por gente como esse rapaz, que põe a cara a tapa e ocupa com dignidade seu lugar na praça, na escola, na cidade.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Malditos legustros!

Estou em Tapera, minha cidade Natal.
Eu e meu amigo, que veio passar o Natal aqui, estamos padecendo de uma terrível renite alérgica, por conta dos legustros, árvores que disseminam pólen por toda a cidade. Essas árvores estão espalhadas por toda a cidade. Não sei de quem foi a infeliz idéia de arborizar a cidade com essa espécie.
Aqui, um calor sufocante e sem vento.
Daqui, desejo feliz Natal e bom ano novo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Circus

Eu sei, eu não devia gostar dela. Eu devia concordar com as pessoas inteligentes e de bom gosto, que sabem que ela não passa de um sub-produto da cultura de massa estadunidense, uma cópia mal feita da Madonna, uma moça sem talento algum, que canta mal e só vive de marketing e escândalos midiáticos.
Mas o que posso fazer, se ela me seduz sempre que a vejo? O que posso dizer, se ela me faz crer que é a mais legítima representante de minha geração e de meu tempo e que depois dela não apareceu mais ninguém de interessante??
Como renunciar ao posto que ocupo na arquibancada de seu anárquico circo já há anos??
E, acima de tudo: renunciar por quê, se esse circo me dá tanto prazer??