Mostrando postagens com marcador Memórias. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Memórias. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Casos malditos II

Como prometido no post anterior, este traz mais "Casos malditos" publicados pela revista Planeta na década de 70. Os de hoje foram publicados na edição número 13, de setembro de 1973 (capa ao lado). Nessa edição, os três casos publicados foram enviados por leitores da revista. Aliás, nota-se que no fim da seção  há o endereço da revista para que os leitores que conhecessem alguma boa história a enviassem para a redação.

Os títulos dos casos a seguir: "Mistério do retrato de casamento", "O retrato maldito do rei iemenita" e O perdão do caiçara".

Clique nas imagens para vê-las em tamanho ampliado.





quarta-feira, 6 de maio de 2009

O fim do mundo já passou

Os milenaristas do final do século passado tinham razão. Confirmou-se sua tese de que o mundo acabaria na passagem de um milênio para o outro. Talvez muitos nem tenham percebido, mas aquele mundo terminou mesmo. Não desapareceu de uma só vez, mas findou-se aos poucos.

Lá por 95 as coisas começaram a dissolver-se, esfumaçar-se. O mundo foi sendo povoado por presenças ausentes e ausências presentes, vozes onipresentes, olhos oniscientes, corpos fantasmagóricos e fantasmas corporeificados, textos sem autor e autores sem texto.
Em 97 o fim era iminente. E em 98 o Fim começou a exterminar o que havia. Em 2001 tudo estava consumado.




Eu devia ter morrido em 97

Tenho quase certeza que eu não sou daqui.

.

terça-feira, 14 de abril de 2009

Sons de Planeta 2 - Compartilhando



Essa foto aí em cima é a capa do primeiro CD que eu comprei, mais de 13 anos atrás. Com exatidão: em dezembro de 1995. "Sons de Planeta 2 - O melhor da new age & world music" veio encartado na revista Planeta daquele mês e traz, como o subtítulo diz, uma coletânea de música new age e world music.

Muito viajei com, nas a e através das músicas desse álbum. Para o adolescente de 15 anos que eu era, essas músicas abriam portais para mundos desconhecidos. Eram a trilha sonora perfeita para minhas noites de leitura solitária ou de contemplação das estrelas pela janela do meu quarto.

O álbum começa com um canto neo-gregoriano, com sinos misteriosos. Em seguida vêm as 7 cores do arco-íris, com trovão, som de chuva e sintetizadores deliciosos que me transportavam imediatamente para um dia de chuva e sol. Depois vinham as cítaras que me levavam à Índia, sucedidas pelos grilos e sapos que me chamavam ao Pantanal. Surgia então uma canção numa língua que nunca identifiquei e da qual só compreedo uma frase . Depois entrava em uma manhã de domingo que antecipava a levitação embalada por um violão poderoso, sucedido por uma outra língua misteriosa em deliciosa voz e com deliciosos tambores. Logo após, restava a calmaria quase monótona do lago e o grande final que misturava o gregoriano aos os tambores africanos.

Tomei gosto por essa música diferente, que mistura velho e novo e acredita em portais e em outros mundos. Depois a mesma revista lançou a coleção "Planeta Nova Era" que trazia sempre uma coletânea como essa, que compartilho hoje com quem quiser experimentá-la.



Sons de Planeta 2 - O melhor da new age e world music



1. Graduale (Corciolli)

2. The 7 colors of the rainbow (Mannheim Steamroller)

3. Asas da Luz (Luz da Ásia)

4. Noite (Marcus Viana)

5. Tanto quer Santa Maria (Freiburger Spielleyt)

6. Sunday morning breeze (Chip Davis)

7. Levitation (Peter Ratzenbeck)

8. Modé Ani (Fortuna)

9. Lago (Ed Ribeiro Lima & Cia)

10. Agnus Dei (Religare).



Download: Parte 1 e Parte 2


terça-feira, 24 de março de 2009

A cidade do mofo

Naquele quarto tem uma caixa cheia de papéis cujo cheiro de mofo me faz espirrar quando neles mexo. A prova nota dez em Sintaxe da qual nada mais lembro. O registro da perda de tempo em diagramas arbóreos, acusativas declinações latinas que para nada empregarei, os ensaios literários ingênuos e arbitrários (para não dizer óbvios), masculino e feminino em Um copo de cólera, a visão do indígena em Caramuru. Tudo cheira a mofo.
Em Pelotas tudo mofa. Os papéis, as casas, e eu.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Memória olfativa

No supermercado, na hora de passar no caixa, a moça comia daquelas pipocas prontas, aquelas pipocas doces, de pacotinho vermelho.
(No supermercado perto de casa a moça sempre come alguma coisa enquanto trabalha. E os funcionários usam as geladeiras dos refrigerantes e cervejas para guardar seus lanches. Às vezes você abre o refrigerador e lá está um pratinho de plástico com um pedaço de bolo, ou um sanduíche mordido.)
Mas nesse dia a moça comia daquelas pipocas, que nunca descobri como são feitas. (Ingredientes: milho canjicado e açúcar) Pipoca mesmo não é. A textura parece de isopor, o gosto é simplesmente doce e o cheiro...
O cheiro me levou subitamente a alguma tarde perdida da década de 80, nuvens escurecendo o céu, tarde molhada, chuva e sala de aula cheia de guarda-chuvas pingando, botas de borracha e recreio com brinquedos sem pátio. E no barzinho da escola sempre tinha aquelas guloseimas, aquelas pipocas falsas que espalhavam seu cheiro doce pela sala.
No dia seguinte comprei por impulso um pacotinho daqueles pra mim. O gosto, a textura e o cheiro são imutáveis. (A Pipoca Beija Flor é lider absoluta de mercado. CROCANTE E DOCINHA, ela é produzida a partir da seleção das melhores matérias primas existentes no Brasil. Não tem gordura, colesterol ou conservantes. Afinal, é produzida especialmente para quem cuida da saúde e do corpo. Tem baixo teor de calorias, sem abrir mão de ser SABOROSA.) A diferença é que agora ela tem seu próprio site.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

As bergamoteiras gêmeas

Ontem à tarde assisti na TV Escola a dois documentários sobre árvores. O primeiro falava dos carvalhos e tudo que diz respeito a essa espécie. O segundo era um belo filme francês, com imagens e texto primorosos, verdadeira obra contemplativa sobre a transcendência do ser árvore. Os vídeos fizeram-me recordar de árvores marcantes em minha vida.
Érico Veríssimo conta em "Solo de clarineta" que uma ameixeira branca (uma árvore de nêspera) foi uma companheira e um refúgio para ele em sua infância. Também tive uma árvore amiga. Na verdade, duas. Atrás de minha casa havia duas bergamoteiras, uma ao lado da outra. Eram bergamoteiras grandes e altas, que, mesmo sendo frutíferas, nunca eram podadas. Então cresceram à vontade e expandiram seus galhos até chegar a uma fusão entre si. Não se sabia onde começava uma e onde terminava outra. Em minha visão infantil, era uma árvore só com dois troncos. Essa idéia era reforçada pela "ponte" que se estabeleceu entre elas quando uma trave de madeira foi nelas apoiada por meu pai para ali instalar um balanço que muito divertiu a mim, a meus irmãos e vizinhos enquanto durou.
Quando as árvores ficavam carregadas de frutas, fazia-se festa em torno e em cima delas. Eram bergamotas graúdas e suculentas em abundância. Nas outras épocas do ano, as árvores ficavam mais solitárias. Só eu lembrava delas. Gostava de subir nelas e estabelecer lá no alto meu esconderijo. Havia um passo-a-passo para subir; cada pé devia ser colocado em seu devido galho. Lá de cima eu enxergava longe e não era visto por ninguém. Era justamente isso que me atraía lá para cima.
Há alguns anos as bergamoteiras morreram. Foram atingidas por alguma praga que lentamente as enfraqueceu até que elas se transformaram em esqueletos e foram, finalmente, derrubadas. E morreram juntas. Uma não poderia viver sem a outra, de tanto que se acostumaram a ser vistas como uma só.
------------------------------------------------------------
Do Oráculo Celta das Árvores em Planeta na Web


Passado
Abrunheiro
Força na adversidade
Você enfrentou um tempo difícil, mas preparou-se e juntou as ferramentas necessárias ao trabalho que precisava fazer. Essa preparação, se não evitou totalmente a dificuldade, certamente ajudou a lidar com elas. Foi necessário lembrar que tem a força que precisa para sobreviver e triunfar, e isso o ajudou a aproveitar a paz que veio depois da tarefa concluída.
O Abrunheiro tem uma madeira pesada e forte, longos espinhos e frutas pequenas e comestíveis. Simboliza a adversidade e a habilidade de ser forte e superá-la.

Cor: Roxo
Animais: Lobo, sapo, gato preto
Pássaro: Rouxinol


Presente
Bétula (Vidoeiro)
Um novo começo
Um novo começo vai mudar a situação dramaticamente. Muitas coisas serão diferentes, e seria sábio antecipar esse processo. Resolver velhos problemas o capacitará a realmente começar de novo.
A Bétula simboliza os recomeços. Como uma proteção e portão para o Outro Mundo, também indica boa sorte. Há algum risco de precipitação: a sorte pode compensar, mas preparação é benéfica.

Cor: Branco
Animal: Vaca
Pássaro: Faisão

Futuro
Macieira
Beleza e eternidade
Há beleza, vigor, e amor na sua vida, ainda que seja difícil de ver. É preciso focar no aspecto positivo, principalmente quando estiver enfrentando dificuldades - e ainda mais durante os bons tempos! Cuidado para não espalhar sua energia. Ainda que muitas opções pareçam boas, às vezes temos que escolher entre elas.
Avalon, a Ilha das Maçãs, é um lugar de cura na lenda do rei Artur. A maçã simboliza a beleza, o amor, a eterna juventude e vitalidade

Cor: Maçã verde
Animal: Unicórnio
Pássaro: Galinha

sábado, 31 de janeiro de 2009

Um ano depois

Um ano atrás eu era um dependente enfrentando a terrível privação de nicotina.
Hoje não agüento cheiro de cigarro e tenho crises de espirros quando um fumante passa perto de mim. Vez ou outra, principalmente se tomo cerveja, sinto uma leve sensação de que falta algo, um cigarrinho... Mas é uma sensação tão vaga que mal chego a me dar conta de sua existência. Engordei uns 5 quilos, o que pra mim foi uma conquista, pois, com 1m87, eu pesava, antes, 70 quilos. Descobri que sou hipertenso e que, por isso, fumar me colocava em um risco ainda maior.
Conclusão: parar só me trouxe coisas boas. (Algo que todo mundo sabe, mas que só passa a ter sentido de verdade quando se sente no próprio corpo.)
Segundo o http://www.pareagora.com.br/ :

Faz 11 meses, 30 dias, 21 horas, 30 minutos e 12 segundos que você parou de fumar.
Você economizou R$686,06 não fumando 5488 cigarros.
Mas o mais importante é que você salvou 1 mês, 6 dias, 22 horas e 13 minutos de sua vida.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Tempo de revolução

Encerrou-se o tempo em que o direito de ter uma voz era restrito a pouquíssimas pessoas. O tempo em que meia dúzia de pessoas ditavam suas nobres e inquestionáveis verdades a todas as outras. A revolução trazida pela internet vai muito além dos modismos e dos relacionamentos virtuais via msn e sites de relacionamento. A grande virada provocada pela rede consiste no fato de ter dado voz a milhões de pessoas que antes eram apenas receptoras de opiniões, informações e verdades prontas.
Cria-se uma nova Grande Voz, formada por milhões de vozes, que hoje questiona, contesta, provoca, desafia, fornece informação divergente da oficial. Ao mesmo tempo, a antiga Grande Voz, a da velha imprensa, dos jornais, da televisão, dos jornalistas (sempre defensores dos interesses de elites) vai perdendo a força, tornando-se apenas mais uma no meio das milhões de vozes. O Jornal Nacional já não é mais visto como antigamente. Os jornais das grandes e pequenas cidades também perdem importância e muitos até deixam de existir. A informação agora vem de múltiplas fontes, permeada de múltiplas visões, de múltiplas posturas diante do mundo. Os jornalistas vão se tornando uma classe de antigamente. Não precisamos mais de um grupo de pessoas que nos forneça informação mastigada e acrescida de ideologias. Agora nós mesmos produzimos informação e a colocamos à disposição de quem a queira.
Outro aspecto da atual revolução é criado pelo compartilhamento. Além de informações, passamos a compartilhar de bens culturais através da internet: música, filmes, livros, imagens. Tudo é colocado à disposição gratuitamente. Sem dúvida, a revolução do compartilhamento é grandiosa e vai diretamente contra os princípios do capitalismo. Antes, quem quisesse ouvir um disco tinha que pagar por ele. Hoje é possível obter qualquer música que se queira na rede. Usurpação? Não, compartilhamento. Se a música está na rede, é porque alguém a tinha e quis disponibilizá-la a outros. A velha indústria da cultura, que sempre a manteve restrita a uma pequena fatia da população, esbraveja e tenta criminalizar o compartilhamento em nome dos "direitos autorais", em sua "luta anti-pirataria".
Mas a revolução da informação e do compartilhamento não poderá ser detida. A velha imprensa, a velha indústria cultural e tudo o que elas representam estão com os dias contados.


A propósito
AQUI tem um artigo muito bom sobre as campanhas "anti-pirataria" e o que há por detrás delas.

A distância entre as cidades

Quando eu era [mais] jovem, gostava de chocar as professorinhas do Ensino Médio lá de Tapera(então 2º Grau) com afirmações contundentes e posturas para elas inaceitáveis. Era divertido ver o quanto elas eram presas a noções de "correto", a "comportamentos-padrão" e a uma moral "positiva e religiosa", e o quanto meu tom blasé e de pouco caso para com suas tradições podia deixá-las perplexas.

O tempo passou, morei em outros locais, convivi com outras pessoas, vi todo tipo de coisa, mas esse prazer secreto me acompanhou, quase como um fetiche. É extremamente prazeroso ver indivíduos que se agarram a "tradições" e a "bons costumes" ficando estarrecidos diante de algo que questiona o lugar seguro em que se instalaram. É terrivelmente excitante essa postura corrosiva para com a velha sociedade, que faz alguns se debatarem em um palavreado que serve apenas para mostrar uma vez mais o quanto são grotrescas suas convicções. Esse é um dos motivos que me fazem amar Madonna. Ela também tem esse fetiche, essa postura "fuck you" diante do mundo. Afinal, o que ela está fazendo quando se manda cruscificar em cima do palco ou quando oferece "Like a virgin" a Bento XVI, senão rindo da cara de quem fica chocado com isso?

Essa "rebeldia juvenil" parece-me a única postura aceitável diante de uma estrutura social apodrecida e que está a ponto de ruir. É necessário corroê-la em definitivo, implodi-la, para que desmorone de uma vez e exponha a todos o lamaçal sobre o qual foi construída. Não interessa a intenção que tinham os que a construíram, nem o que vai ser construído depois. Não interessa se um mundo mais perfeito surgirá. Uma coisa é certa: qualquer coisa que venha será melhor do que isso que foi construído até aqui pelas boas intenções de nossos ilustres antepassados, que não possuíam consciência ecológica (pois não lhes interessava), mas a quem não faltava a perspicácia para buscar o lucro fácil e instantâneo (que muito lhes interessava).

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Uma história de devastação

Ontem andei lendo umas partes do livro Tapera - A caminhada de um povo, organizado e lançado em 1996 pela Secretaria Municipal de Educação de Tapera - RS, minha cidade natal (livro esse que eu já havia lido por inteiro anteriormente.) Algumas partes são extremamente entristecedoras e até revoltantes. Principalmente o que diz respeito à destruição da Floresta de Araucária que cobria a região.

O livro conta que na década de 1930 se instalaram as primeiras madeireiras na região. E em 1950 não havia mais mata para ser derrubada! Uma floresta que era "exuberante" e rica, como o próprio livro diz, e que havia levado séculos e séculos para se formar. E em 20 anos foi arrasada! Não contentes, os exploradores da madeira se transferiram depois para outras regiões, a fim de continuar a extração de madeira. Como verdadeiros sanguessugas... Dá vontade de chorar quando vejo algumas fotos incluídas no livro, que mostram a floresta sendo derrubada e imensas toras de araucária no chão. Que beleza devia ser aquela mata! E nada -nada - nada daquilo sobrou!!!

Na década de 1970, o que ainda havia restado da floresta foi derrubado, com o incentivo do governo militar, agora para disponibilizar mais terras para a monocultura da soja, que acabou com os outros tipos de produção, acabou com os empregos no campo, provocou o êxodo rural, empobreceu o solo, contaminou rios e pessoas com agrotóxicos...

Não há muito de que se orgulhar nessa história de colonização, que merece ser chamada de história de devastação. Nossos antepassados alemães e italianos levaram a cabo uma sucessão de imensos crimes (eu ia usar a palavra "bobagens", mas a palavra é "crimes" mesmo), movidos sempre pela ganância e pelos interesses dos donos do capital. Não era necessário destruir a floresta, embora o livro ingenuamente (ingenuamente?) diga que sim. A produção de subsistência podia ser feita em pequenas áreas, preservando-se grandes partes da mata. A ganância trouxe o desejo de enriquecimento, através da madeira e, depois, das monoculturas. São exatamente esses sanguessugas que hoje dão nomes a ruas, praças, vilas e localidades dentro do município. Mas eles não merecem a glória, não merecem ser chamados de desbravadores, não merecem nada. Foram apenas devastadores. E servem apenas como exemplo do que não deve ser feito... (Sim, são os descendentes desses devastadores que ainda hoje formam a elite pequeno-burguesa da cidade e continuam a devastação...)




E a Amazônia, terá o mesmo destino??... Será sugada até exaurir-se? É triste, mas tudo indica que sim...


A capa do livro, com ilustração de Maria Helena Bervian intitulada Observando a paisagem de Tapera, é perfeita: mostra o vazio quase desértico causado pelas plantações, com as raríssimas árvores que sobraram aqui e ali.

Paradoxos

Agora a devastação no Sul serve para plantar... árvores! É a hora e a vez dos eucaliptos e pínus destinados à indústria moveleira e papeleira(espécies de árvores que, segundo afirmam alguns, deterioram rapidamente o solo, provocando a desertificação)! Paradoxalmente, ESTA NOTÍCIA foi publicada justamente no site de uma associação que promove esse tipo de plantação.

O governo e os empresários locais saúdam a nova frente econômica, como acontece no Rio Grande do Sul, mas os efeitos dos “desertos verdes” de eucaliptos já são sentidos por agricultores na região de Mercedes, no departamento de Durazno.

Será que os atuais sanguessugas de Tapera já descobriram a nova onda?

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Memórias pós-tu, mas...

Em 2001 eu tinha 20 anos e achava que já era velho demais. Velho demais pra viver, oportunidades todas desperdiçadas. Eu ouvia Sandy e Junior na minha solidão as nuvens de ilusão derramam tua chuva em mim, te quero sim e olhava pela janela. Eu via os prédios distantes e a neblina eterna de Curitiba e pensava que mundos eu queria adentrar (sem esperança de fazê-lo). No rádio tocava Madonna Music, Dido Thank you, Kylie Can't get you out of my head e essas eram suficientes para dar sentido. Nas ruas eu via montes de fragmentos, um hare krishna parado na esquina, uma igreja esquisita também parada na esquina, um poema do Leminski tatuado na fachada de um prédio, o passeio público com seus macacos e as prostitutas paradas na esquina, os terminais de ônibus se insinuando nas manhãs cinzentas. E de noite eram Jade e Lucas e Léo que brilhavam.

Depois Sandy e Junior gravaram "There will be those times we fight back tears" e as coisas começaram a perder o sentido. Perdi o verde e me perdi.


Quando me perdi foi que me achei.

E hoje tenho 28 e acho que sou novo. Vou colando os recortes, dispondo-os de maneira que me seja agradável, adicionando umas lantejoulas, enviando para alguém que nem sei bem onde se esconde, e as coisas ganham cor. Aquelas músicas não fazem mais sentido, busquei outras mais infantis e a Mara deu conta do recado. Sou muito novo para gostar de Sandy e Junior, que envelheceram cedo demais. Descobri que quem se apega a Madonna jamais envelhece, como ela. (como ela como ela como ela como ela como ela)


sábado, 11 de outubro de 2008

Da Finlândia


Veio-me este, que dá assim uma certa vontade de Natal, se é que isso é compreensível. Mas Natal com neve como aqui não há. Natal de longe e dos outros, desse é que dá vontade o cartão. Vontade de uma casinha coberta de neve e perdida no meio do nada, com lareira crepitando e tudo o mais, tudo o que aqui não há.
Tenho recebido muitos, e tantos que até nem deu tempo de falar de todos, nem de botá-los todos na galeria (quem sabe agora, depois de segunda, já sem Ana nem Léo, devidamente encadernados em imaculadas normas ABNT e entregues para a soberana banca, quem sabe então haja tempo, se houver vontade). Tudo cheio de desejo de longe e de saudade do que não vi, como disse aquele que há 12 anos morreu num dia do qual me lembro bem (poderia contá-lo como fiz com 11/09/2001, porém agora [não] quero memórias verdadeiras).

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Festas de outubro


Quando eu estava no "seio do catolicismo", eu gostava de outubro porque esse é um mês cheio de comemorações marcantes na Igreja. Começa com Santa Teresinha, aí vem o Dia dos Santos Anjos da Guarda no dia 2, São Francisco de Assis no dia 4, Nossa Senhora Aparecida no dia 12, Santa Teresa de Ávila no dia 15 e Santa Edwiges no dia 16.

Fora isso, é o mês de meu aniversário, do aniversário de um de meus irmãos e também do aniversário da minha mãe.

Para os pagãos do hemisfério norte, outubro é o último mês do ano, sendo que o "Dia das Bruxas", o Hallowen, tem sua origem justamente aí, no Samhain, a comemoração do novo ano pagão. No sul celebra-se Beltane, a grande festa da fertilidade.

De todas as formas, o mês 10 quer ser especial.



Custei a lembrar do nome do pintor de tantas telas com temática religiosa nas quais os anjos estão sempre presentes. O google ajudou-me: é Fra Angélico. O anjinho aí em cima é dele. (É até doloroso ver a parte em que a tinta saiu e a madeira ficou aparecendo. Parece uma ferida exposta, não?)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

História de uma alma

Hoje, quando acordei, lembrei: 1º de outubro, dia de Santa Teresinha. Nessa data a Igreja celebra a memória de Teresa de Lisieux, essa francesa que viveu no final do século XIX e que se tornou uma santa imensamente popular. Mais que isso: tendo vivido apenas 24 anos e sendo mulher, realizou a façanha de ser proclamada doutora da Igreja, título concedido àqueles considerados como autores de uma doutrina espiritual exemplar. Além dela, apenas duas outras mulheres receberam tal título até hoje: Catarina de Sena e Teresa de Ávila.


"História de uma alma" é o nome que receberam os manuscritos autobiográficos de Teresinha. Sim, ela escreveu uma autobiografia por orientação de suas superioras, no mosteiro carmelita em que passou os últimos anos de sua breve vida. Li o livro pela primeira vez quando tinha 16 anos e, até hoje, lembro dos fortes sentimentos que ele me transmitiu. Teresinha conta detalhadamente sua vida, desde a mais tenra infância, com destaque para a perda da mãe quando tinha apena 4 anos, a relação com o pai e com as irmãs, a viagem a Roma, durante a qual solicitou ao papa que pudesse ingressar na Ordem Carmelita com apenas 15 anos. O livro transborda emoções exacerbadas a cada página, recordações dolorosíssimas, sentimentos elevadíssimos por seus familiares, interpretações sentimentais de cada situação vivida. Só hoje dei-me conta de que Teresinha bem pode ser enquadrada dentro do Romantismo, e é exatamente isso que ela é: uma alma romântica (não por acaso, ela também escrevia poesia...). Será que alguém já escreveu uma tese sobre isso?


A doutrina espiritual de Teresinha chama-se "a pequena via" e, basicamente, consiste em um retorno à simplicidade como meio de ter uma vida espiritual. Ela propõe que a "santidade" seja conquistada através da vida cotidiana, nas atitudes corriqueiras e pequenas, praticadas com amor. O que também não se distancia da visão romântica (e burguesa) da vida.


Hoje Teresinha é pop. Tornou-se a santa das rosas: diz-se que quem faz sua novena sempre recebe, inesperadamente, uma rosa dentro do período de 24 dias em que ela é realizada. A imagem da santa jovem carregando um crucifixo envolto em rosas tem um apelo que atinge desde as crianças até os idosos. Exatamente por isso, vem sendo amplamente utilizada pela Igreja em suas "campanhas publicitárias" desde o início do século XX, tendo sido uma das estrelas do papado João Paulo II, que a proclamou doutora em 1997, quando do 100º aniversário de sua morte. Continuo simpatizando com ela, mas não sei que efeito teria sobre mim uma nova leitura de seus escritos. Talvez eu tenha me tornado demasiado crítico para apreciá-los.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Pretérito Imperfeito

Eu estava em Curitiba. Era mais uma manhã em alguma aula um pouco entediante, lá no Instituto Vicentino de Filosofia. Das 8 ao meio-dia. Acho que fazia um dia bonito (por incrível que pareça, em se tratando daquela cidade metida a Londres). E quando fazia meu percurso entre o Instituto e meu ponto de ônibus (trajeto longo mas sempre tão interessante!), havia aglomerações de pessoas diante de lojas de eletrodomésticos que tinham TVs ligadas. Mas nada que me chamasse muito a atenção ou despertasse minha curiosidade. Naquela hora do dia, entre as Mercês e a praça cujo nome não recordo, cruzando a Rua das Flores, meu pensamento sempre era atraído por tanta coisa, e minhas pernas, impulsionadas pelo estômago que pensava em uma só coisa - o almoço.
Durante o almoço, todos comentavam um "ataque terrorista" (eu até então nem sabia direito o que era um ataque terrorista) sofrido pelo Estados Unidos, mas nem aí meu interesse despertou por inteiro. Foi só ao ver a imagem. Sim, foi a imagem que se gravou na memória e tornou inesquecível aquele dia. A imagem exibida milhares de vezes naquele dia, a ponto de impregnar-se em nosso inconsciente. Diante daquela imagem tudo mudou e fiquei meio aéreo pelo resto do dia, anestesiado pelo espetáculo jornalístico.
De certa forma, começaram uns dias bem estranhos. Uma certa incerteza (ou uma incerta certeza?) se apoderou de tudo. Um clima de fim, e de loucura, em meio à guerra propagandística estadunidense e à comoção generalizada. Depois daquele dia tudo ficou meio cinzento para nossa geração, que nasceu no final do século passado e ainda não acreditava no Fim dos Tempos.

sábado, 26 de julho de 2008

Amigos por correspondência

Guardo ainda hoje algumas cartas que recebi há mais de dez anos, escritas por pessoas que só conheci assim, através de correspondência. Na época pré-internet era assim que muita gente se conhecia. Conta a lenda que meu pai e minha mãe se encontraram assim: ele colocou um anúncio em uma revista querendo conhecer moças para amizade ou namoro. Ela respondeu o anúncio e, pouco tempo depois, se conheceram e casaram.
Nos anos 90 troquei correspondência com dezenas de pessoas, de vários lugares do Brasil. Comecei trocando recortes sobre artistas. Eu era fã da cantora e apresentadora Mara Maravilha, e colecionava tudo que fosse referente a ela . Então mandei uma carta para um jornal no qual havia uma seção de correspondência e comecei a receber cartas de pessoas que me enviavam reportagens de revistas sobre a Mara, e em troca eu lhes enviava recortes sobre artistas dos quais elas eram fãs. Correspondi-me durante um longo tempo com uma moça de Guaíba, que era fã da Angélica. E nossa corresponência foi muito além de uma simples troca de recortes: acabamos ficando amigos mesmo. Nessa época eu tinha 13, 14 anos e havia dias em que recebia mais de dez cartas.
Mais tarde, já em plena adolescência, minhas amizades por correspondência passaram a ter outro pretexto: a troca de informações sobre esoterismo, minha paixão de então. Na revista Destino havia uma seção de correspondência, e escrevi para uma moça chamada Sonia Cristina, que morava em Poá - SP. Com ela correspondi-me durante anos, e tenho ainda suas cartas. Acabei perdendo contato com ela, mas suas cartas são uma das mais fortes recordações de uma época de minha vida.
Parece que com a internet esse tipo de amizade foi quase totalmente substituído pelas amizades virtuais. Mas esse tipo de contato, via orkut e msn, tem algo de superficial, imediato e efêmero. Não é a mesma coisa. Felizmente, acabo de encontrar uma comunidade no orkut que reúne pessoas que ainda cultivam o hábito de trocar cartas. Acho que vou escrever para algumas e ver se essa prática ainda tem o mesmo efeito para mim.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Ouvindo... The Cranberries


Eu não sabia quase nada sobre essa banda, e mesmo assim há tempos que gosto muito do álbum do "The Cranberries" que se chama "Everybody Else Is Doing It, So Why Can't We?", de 1993 (acho). Quando eles ficaram famosos, duas músicas desse disco tocaram muito nas rádios por aqui: "Dreams" e "Linger". Meu irmão mais velho tinha o CD, e, como eu gostava dessas duas canções, copiei o CD em uma fita cassete, e ouvi bastante lá por 1995, 96... Nesse meu atual surto de saudosismo noventista, lembrei desse disco e fui atrás dele no rapidshare.

Como eu disse, nada sabia sobre a banda. Na verdade, nem lembrava de tê-los visto alguma vez em foto ou na TV. No entanto, as músicas desse disco me tocavam profundamente. A começar pela voz da cantora, ao mesmo tempo forte e suave, delicada mas imponente, sim, uma voz paradoxal. Também as canções têm algo de paradoxal: grandiloqüentes mas simples, diferentes mas sem virtuosismos. No fundo, no fundo, era o tom melancólico das melodias e da vocalista, somado aos arranjos empolgantes da guitarra e da bateria, que me encantavam.

O curioso é que, mais de dez anos depois, aquelas músicas ainda me cativam, ainda me prendem e dão-me prazer ao ouvi-las. Hoje fiz uma pesquisinha sobre "The Cranberries" e descobri que são irlandeses, têm poucos álbuns gravados e não estão mais em atividade como banda. O que é bom dura pouco?



P.S. Esse post tem alguma relação com o anterior, sobre a série "My so-called life": no primeiro episódio da série há uma cena cuja trilha sonora é "Dreams", do "The Cranberries". Uma coisa leva à outra...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Minha vida de cão (My so-called life)

(O "Brasil" junto ao logotipo foi colocado ali pela pessoa que disponibilizou a foto)



Não, não, eu não vou me queixar da vida aqui. O título do post refere-se a um seriado norte-americano que marcou minha adolescência e do qual vou falar aqui. (É engraçado, tenho tido crises de memorialismo, que me fazem buscar coisas nos baús da memória a apegar-me a elas como se pudessem trazer de volta tempos passados. Às vezes eu quero de volta os anos 80, e os busco vendo vídeos da Mara Maravilha no youtube. Às vezes busco nos sebos revistas que li nos anos 90. Outras vezes são trilhas sonoras de fimes e seriados...)
Como esta que baixei hoje, a trilha sonora de "My so-called life". Conheci essa série através de meus irmãos mais velhos, que moravam em Porto Alegre e tinham TV a cabo. Porque a série foi exibida pela primeira vez no Brasil (com o nome de "Minha vida de cão") no canal Multishow. Meus irmãos tinham todos os episódios gravados em VHS e, certa vez em que fui os visitar, assisti a todos e encantei-me. Isso foi em 1995, quando eu tinha 14 anos. A idade das personagens centrais da série era esta: 15, 16 anos. Diferentemente de séries como "Barrados no Baile" e "Malhação", essa era uma série inteligente, realista e longe de clichês. As personagens eram de classe média e baixa, moravam no subúrbio e tinham seus problemas que iam além de musculação e "com que roupa vou na festa?"
Algum tempo depois o SBT exibiu a série também, primeiramente com o título "Meus 15 Anos" e, depois, "Minha vida de cachorro". Foi então que gravei os episódios em VHS, a maioria dos quais conservo até hoje. A série teve apenas 19 episódios e a personagem principal, Angela, foi interpretada pela atriz Claire Danes, que, mais tarde, fez o papel de Julieta no filme Romeo+Juliet.
Acho que me identifiquei muito com aquela série porque ela tinha um tom melancólico, blasé e quase pessimista, características que eu também tinha naquela época. Não era muito "colorida" e não mostrava a vida dos jovens como uma grande curtição. Além disso, a Angela era muito introspectiva e vivia fazendo reflexões muito interessantes sobre o mundo, o que rendia ótimas metáforas e monólogos interiores a cada episódio. Enfim, era algo bom demais para durar muito tempo na TV.


Abertura do seriado:





P.S. Caso alguém chegue aqui buscando um link para download da trilha sonora oficial do seriado, AQUI tem o tal link. E caso alguém se interesse, AQUI tem um link para um site bem legal feito por fãs sobre a série (em inglês)
P.P.S Links para o download da série completa podem ser encontrados na comunidade do Orkut "My so called life", localizada AQUI.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Sobre romãs


Quando eu era pequeno havia uma árvore de romã (romãzeira?) na frente da minha casa. Todos os anos ela dava muitas frutas que consumíamos, meus irmãos e eu, com entusiasmo infantil. Não que fosse a fruta mais saborosa do mundo, mas a romã tem sua delicadeza que encanta. O mais bonito é que dá para ver claramente suas flores, vermelhas e chamativas, transformando-se em frutos, cheios de sementes igualmente vermelhas. Na verdade, é uma fruta esquisitinha: não tem polpa, e o que a gente degusta é o caldinho que há no interior das sementes.
Essas reflexões "romanescas" (com o perdão do trocadilho) foram motivadas pela passagem de Samhain, que celebrei com um rito que utiliza, entre outros elementos, dessa fruta como símbolo. E a romã é tradicionalmente associada à fecundidade, à paixão e ao amor. Segundo a Wikipedia, os gregos associavam-na à deusa Afrodite e consideravam-na afrodisíaca. Até na Bíblia ela aparece como símbolo de fartura para os hebreus. Dizem que a romã é boa pra curar dor de garganta. E sabe-se que é antioxidante, ajuda a previnir e até a tratar câncer, principalmente de próstata.
Pra mim é engraçado que a romã seja vendida por um preço tão elevado (pelo menos aqui na minha região. Ontem comprei uma unidade por R$2,95!) Na minha casa era algo tão comum ("era", porque aquela romãzeira não existe mais), quase banal...
Para finalizar, deixo-vos a letra de uma canção de Baby Consuelo que, coincidentemente, conheci ontem ao baixar o álbum "Krishna Baby", de 1984. A canção chama-se "Romã do Amor" e nela a cantora filosofa sobre a fruta, tal como fiz nesse post que inaugura a postagem de maio:

A palavra amor
É tão infinita
Que até ao contrário
Também significa
Eu estou falando
Da R-O-M-Ã
Que cura o cantor
Num passe de amor
Nas quebradas da vida
Minha voz te exalta
Nessa vida ribalta
Tua semente
Transparente só traz sabor
Tua casca vermelha e branca
Protege quem canta
E toda a garganta nesse mundo-esperança
Romã do Amor
Sou sua fã
Seu admirador
E por trás de ti
Pressinto em mim
A missão natureza
De uma fruta princesa
Que Deus abençoou


P.S: Descobri que a romã já tem seu próprio perfil no orkut, quem quiser conhecê-lo, clique AQUI.