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quinta-feira, 28 de agosto de 2008

A Força


O número 11, que corresponde à Força, é formado por dois números 1. Dois algarismos iguais postos lado a lado.

Como ser humano, tens duas naturezas também postas lado a lado, ou, antes, fundidas numa só. Natureza humana como fusão de uma natureza espiritual ou racional e outra animal. És corpo, matéria. Por menos que gostes de reconhecer, és animal e possuis instintos, tal como as feras dos campos. Mas ao mesmo tempo és racional e dotado de características espirituais.

Podes desenvolver mais um lado do que outro. Podes ser dominado por teus instintos e viver na Terra jogado de um lado para outro por teus desejos. Podes também mergulhar inteiramente em tua espiritualidade e viver na Terra como se corpo não tivesses.

Mas a situação que deverias buscar como perfeita é o completo equilíbrio entre as duas tendências de tua natureza. Que teus instintos sejam direcionados e corrigidos por tua Razão. E que tua Razão encontre na satisfação dos instintos o lícito prazer ao qual és destinado.


Doma, pois, este animal que há dentro de ti, mas não o mata, posto que é ele metade de ti. Alimenta-o e cuida bem dele, mostrando-lhe sempre qual é o lugar dele em teu Lar, assim como fazes (ou como deverias fazer) com teus gatos ou cães de estimação.



Are you walking the dog, 'cause that dog isn't new ?
Are you out of control, is that dog walking you ?
Haven't you had enough, now your time is up
Baby show me your hell
(Madonna - Voices)



terça-feira, 15 de julho de 2008

O enforcado




Enforcado, mas não pelo pescoço, e sim pelo pé. Seus pés estão, pois, fora do chão. De cabeça para baixo: é assim que ele vê o mundo. Mas nem por isso ele demonstra espanto, medo ou vontade de sair dessa situação, que seria sentida como terrível pela maioria dos indivíduos. Até mesmo cruzou as pernas e acomodou-se com os braços sobre as costas. Parece estar vivendo uma experiência libertadora. Quem é ele? Um subversivo, talvez. Ou um místico. Ou um lunático. Ou os três ao mesmo tempo.
Ele está, literalmente, "pendu", dependurado: nem na terra, nem no céu, mas numa faixa de transição entre ambos. Dessa situação, pode ele apreender um novo jeito de ver, um novo jeito de ser. Mas não pode assim permanecer para sempre. Tal ascese é por demais exigente para ser duradoura. Se assim ficar por muito tempo, perecerá.
Podemos ficar dependurados por opção. Mas apenas por algum tempo. Em alguma hora, a corda arrebentará. Quais serão os efeitos da queda?


Diz-me: Quais serão os efeitos da tua queda?

domingo, 25 de maio de 2008

A Morte


Certamente essa é a carta mais assustadora do tarô, justamente porque diante delas estamos como que diante de um espelho. Sim, a morte revela quem somos. Se temos medo dela, isso revela mais sobre nós mesmos do que imaginamos. Revela nossas crenças (as verdadeiras, e não as que apenas dizemos ter), nossa relação com o mundo e nosso modo de viver. O medo da Morte nos assalta porque sabemos que não aproveitamos a vida como deveríamos, que ainda há muito por fazer. O medo da Morte mostra nosso horror à mudança, à desestabilização de nosso universado calculado, medido e organizado. A Morte é um furacão que instaura o caos, do qual fugimos completamente.

Mas esse medo é infundado. Porque a Morte não apenas é algo positivo, mas necessário. Todos os sistemas de crenças pregam isso de alguma forma, e até os "sistemas de descrença" lidam assim com a Morte. A Morte nada mais é do que transformação, fim de ciclo, abandono do que é antigo. O que pode ser algo doloroso, posto que exige adaptação à nova situação (opa, então haverá uma nova situação e, portanto, a Morte não é o fim!...) e desprendimento em relação ao que se tinha. Mas esse é um processo do qual não se pode escapar, e cujo resultado é, sempre, a evolução.

domingo, 11 de maio de 2008

O Louco


Ele é a Criança que existe no âmago de cada um e que se mostra mais ou menos ativa em nosso modo de viver. Sua influência sobre nosso comportamento abre-nos para a criatividade, jovialidade, liberdade e quebra das barreiras sociais. É um impulso para a expansão: expansão do olhar, da percepção, do prazer, da experiência. Quando nosso louco interior encontra-se completamente adormecido ou aprisionado, adotamos posturas rígidas, tornamo-nos escravos da rotina, dos padrões, do sistema.

Ao mesmo tempo, é preciso oferecer à energia impulsiva do Louco uma direção, pois ela é caótica, intempestiva e, até, perigosa. Quando domina o agir de alguém, o Louco pode provocar a auto-destruição, a dissipação, o vício.

A vocação do Louco é, então, interagir com os outros aspectos de nosso ser, oferecendo a eles sua características positivas e desejáveis e aprendendo com eles a controlar sua ânsia andarilha.

domingo, 20 de abril de 2008

O Namorado


A indecisão diante de caminhos distintos que se pode seguir, mesmo quando se sabe qual seria a escolha mais acertada, faz-se presente aqui. O ser dividido entre o dever moral e o apelo de seus desejos, a razão e os instintos, a obrigação e a mente dispersa e irresponsável.
Pairando acima do indivíduo, o Eu Superior aponta sua flecha para o lado irracional, pronto para dispará-la. Mas ele só fará isso quando o Namorado tomar sua decisão, resolvendo triunfar das ilusões e tentações.
É o momento da ponderação que conduz à decisão correta, ao caminho perfeito e ao abandono do vício.
Na verdade, não há caminho bom ou mau. O que há são modos distintos de existência, cada um deles orientado por uma das dimensões que constituem o ser humano. E cada um deles conduzindo o viajante a um destino completamente diverso do outro.
O viajante tem liberdade de escolha. Pode escolher o caminho do dever racional ou o caminho da entrega aos desejos. Mas deve saber que não pode alcançar o destino de um percorrendo a estrada do outro. A não ser que seja sábio o bastante para construir o caminho do meio.

segunda-feira, 24 de março de 2008

O Papa (O Sumo Sacerdote)


Este Arcano é a contraparte masculina da Papisa, a sabedoria feminina da intuição e dos aspectos menos conhecidos da psique. Enquanto sabedoria masculina, o Papa aponta para a Razão, a inteligência em sua face mais profunda, o Mestre Interior que surge como verdadeiro guia de cada um de nós em nossas decisões e em cada ato de nossa existência.
Ele aponta para a necessidade de ponderação, de reflexão, a fim de que sejam evitadas atitudes impensadas. Ao mesmo tempo, ele nos incita a reconhecermos a sabedoria advinda de fora, seja de outra pessoa, seja de um sistema de idéias, da Ética, do Inconsciente Coletivo, ou de um sistema espiritual. Ou seja, incita-nos à humildade necessária para reconhecermos que nem sempre temos todas as respostas. Às vezes é preciso buscar uma resposta em nosso interior, através da meditação, da oração, do silêncio. Às vezes, também, é preciso escutar as vozes que vêm de fora e reconhecer nelas a orientação que nos é necessária.

domingo, 16 de março de 2008

A Estrela


Semana passada foi o obscuro arcano da Lua quem se apresentou. Hoje, é o luminoso e colorido arcano XVII, A Estrela, quem se nos apresenta. A lâmina é por si mesma encorajadora: a estrela é sempre um signo de orientação, de beleza e esplendor. Aqui, ela aparece como uma celebração da vida e do universo em sua perfeição.
O corpo humano, na nudez da mulher, é símbolo, ao mesmo tempo, de nossa integração ao Cosmos e de nossa majestade, presente no azul real de seus cabelos. A mulher derrama a água de duas jarras, uma sobre uma fonte de água e outra sobre o solo. Esvaziando as jarras, ela se desfaz das dualidades ilusórias que cercam a humanidade: corpo e alma, emoção e razão, masculino e feminino, sagrado e profano... A pessoa harmonizada com o Universo triunfa de toda dualidade. À sua volta, estende-se a terra, onde brotam e florescem as plantas, símbolo da vida.
Esta carta aponta para vitórias, o encontro de soluções após aparentes derrotas, a organização e a clareza dos pensamentos após a confusão mental, a ajuda e a orientação após o tropeço, um caminho iluminado após a depressão. Que nessa semana que se inicia brilhe em cada um de nós a luz benfazeja dessa linda Estrela.

domingo, 9 de março de 2008

A Lua


O Arcano XVIII do Tarô, A Lua, é um arquétipo do inconsiente humano, aquela parte de nossa natureza que fica oculta na maior tempo e que só vem à tona por meio de uma luz refletida, os lampejos que a consciência lança esporadicamente sobre ela. Nessa parte de nosso ser residem nossos instintos, nossa energia caótica e pulsante, que pode conduzir-nos tanto a realizações sublimes quanto à destruição. Não por acaso, é durante a noite, através dos sonhos, que mergulhamos nesse mundo regido pela Lua.
Ao mesmo tempo, a Lua nos fala de instabilidade, de provisoriedade. Ela muda constantemente em seu eterno ciclo através das 4 fases, e, assim como muda sua aparência, altera também sua influência sobre a terra e sobre os homens.
O inconsciente e os instintos precisam ser controlados, precisam estar a serviço do indivíduo e não contra ele. Para isso, é necessário atravessar o lago das emoções, vencer o monstro aquático que aí se aloja, para depois ainda lutar contra as duas feras caninas que guardam o acesso à cidade sobre a qual a Lua reflete sua luz.

A Lua é sempre um alerta contra as ilusões em qualquer aspecto da vida humana e um convite ao auto-conhecimento e à investigação da verdade que se esconde por detrás das aparências.
Nessa semana, o Tarô lhe convida a esse processo, caro leitor, e é por isso que você está lendo, agora, esse texto. Numa evidência da sincronicidade, estamos na Lua Nova, fase em que ela oculta-se no Céu. Oculta no Céu, ela quis aparecer aqui, a mim e a você...

sábado, 1 de março de 2008

A Papisa

Ocorreu-me uma idéia que colocarei em prática aqui. Todo sábado, começando hoje, tirarei uma carta de tarô cujo significado comentarei num post. Quem acessar o blog durante a semana e ler esse post, tome para si o que esta carta tiver de premonitório para sua vida, de acordo com a interpretação geral e intuitiva que darei. Quem não crê em premonições, tome o simbolismo da carta como fonte de reflexão sobre algum aspecto de sua existência.

A carta que tirei hoje foi esta:

A Papisa é uma carta curiosa. Afinal, o posto de comandante da Igreja é restrito aos homens, logo, papisas não existem. (A não ser no imaginário lendário segundo o qual um dos papas teria sido, na verdade, uma mulher disfarçada de homem. Mas isso não vem ao caso aqui.) O que justifica que a carta de número 2 do tarô apresente essa figura com esse nome?
O número 2 está simbolicamente associado ao princípio feminino do Cosmos e do ser humano. Portanto, estamos diante de uma carta feminina por excelência. Ao denominar esse princípio como "Papisa", o tarô revela a Sabedoria e o Poder inerentes a ele. É a mãe a educadora por excelência, é por ela que todos somos introduzidos nos saberes básicos do mundo e da vida. E é desse princípío feminino presente em todos nós, sejamos homens ou mulheres, que devemos sorver a sabedoria que pode nos guiar nos momentos de confusão, de decisões importantes e de obscuridade. Na Papisa está a chave de segredos aparentemente impossíveis de serem revelados. Muitas vezes, a solução de que necessitamos para algum aspecto de nossa vida está em algo escondido, talvez um pequeno detalhe ao qual não damos atenção julgando que tal solução deva ser algo grande e chamativo. Mas as mães sempre reparam nos mínimos detalhes daquilo que diz respeito a seus filhos, e são capazes de chegar a conclusões perfeitas a partir de pequenos indícios. E é isso que as torna sábias e poderosas como a Papisa.
Espero que isso diga algo a você, caro (a) leitor (a)...


P.S. Os comentários ao post levaram-me a acrescentar esta observação posterior.
O tarô não é apenas um instrumento para adivinhação ou para saber o futuro. Esse é apenas um dos aspectos desse baralho antiqüíssimo. Nele estão representadas de forma simbólica, arquetipicamente, todas as dimensões da vida humana. Há numerosos estudos acadêmicos a respeito desse tema, entre os quais se destacam os do grande Carl Gustav Jung, que apresenta as relações entre os arcanos do tarô e os arquétipos presentes no inconsciente coletivo da humanidade. Desprezar o tarô classificando-o como mera superstição ou bobagem esotérica é, no mínimo, fechar-se ao conhecimento de um canal de transmissão de cultura ao longo dos tempos.