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Criei um outro blog, só para mostrar meus postais e falar sobre eles. O que não impede que volta e meia eles também apareçam por aqui, sob outros enfoques.
Falido: Declarado em falência; fracassado, arruinado. / Palavra: Vocábulo provido de significação.







Queremos gato
gato que era nosso
gato que beijava
gato que crescia
gato que seria
gato grande um dia
Queremos gato
gato de quem éramos
gato que xingávamos
gato endiabrado
gato das tocaias
gato e seu miado
Queremos gato
gato que era nosso -
gato, vem pra fora
sai, gato, do buraco
do buraco da terra
do buraco da alma
buraco em que te meteram -
Queremos gato que era nosso
gato que outro não há
gato que já não é
gato que não será
tu queres gato: tira do teu ventre
morno medida de tua garra,
o formato e as unhas te fazendo,
tuas certezas, teu único sonho, botas e
cobertas que também desfazem teu salto
e se apronta para sobrevoar o campo alheio
e se lançar meio tigre sobre as marcas
que não sabes nem sabes repousar, e os gemidos
de fome em gato não ouças, mas vive
os cantos da casa e os pêlos amedrontados
e a ameaça acordando o nome gasto
e se deita depois num lento revirar ignorado,
torna a escrita e o desenho que ressonamdes
conhecidos traços te seguindo.*
* Ana Cristina Cesar: d’après Jorge de Lima Invenção de Orfeu I, XVIII
A gente pode se perder nessa gravura, há tanta coisa nela, você viu?: os homens, fazendo sei lá o quê, a plantação de arroz, as casas, e, sim, o sempre hipnótico Fuji.
O que você notou primeiro?
E este gato é duplamente alemão: não só veio da Alemanha, como tem estes traços arianos, típicos de lá. Estou ficando intrigado: já recebi uma dezena de postais da Alemanha com fotos de gatos (No meu perfil e digo que gosto de postais mostrando gatos, mas todos os postais com gatos que recebi foram de lá!). O que os alemães têm com os gatos??
tu queres gato: tira do teu ventre
morno medida de tua garra,
o formato e as unhas te fazendo,
tuas certezas, teu único sonho, botas e
cobertas que também desfazem teu salto
e se apronta para sobrevoar o campo alheio
e se lançar meio tigre sobre as marcas
que não sabes nem sabes repousar, e os gemidos
de fome em gato não ouças, mas vive
os cantos da casa e os pêlos amedrontados
e a ameaça acordando o nome gasto
e se deita depois num lento revirar ignorado,
torna a escrita e o desenho que ressonamdes
conhecidos traços te seguindo.
Ana Cristina Cesar: d’après Jorge de Lima Invenção de Orfeu I, XVIII