terça-feira, 20 de maio de 2008

As misteriosas influências da Lua - PARTE II

Continuação da matéria publicada na revista Planeta, número 132, de sentembro de 1983

Para ler a primeira parte, veja o post anterior, ou CLIQUE AQUI

Das crendices às constatações científicas: AS MISTERIOSAS INFLUÊNCIAS DA LUA
Por Elsie Dubugras

Vista pela astrologia, a Lua representa a persona, a personalidade que encobre o eu verdadeiro




CONCEBENDO PELO OLHAR

Em 1942, Cristóvão Colombo partiu da Espanha em sua histórica viagem para a América. Em 11 de outubro, mais ou menos às 10 horas da noite, ele divisou uma misteriosa luz no meio do mar. Pensou que alguém poderia estar enviando sinais, mas como a luz durou pouco mais de um minuto, nunca descobriu sua origem.
Inúmeras pessoas têm tentado explicar essa luminosidade, e algumas das quais chegaram à conclusão de que não passaria de ilusão de ótica, comum aos vigias que, em serviço de prontidão, no escuro e incertos da posição do navio, imaginam estar vendo luzes e brilhos repentinos ou ouvindo sinos e ondas se quebrando na praia.
Uma explicação moderna, mais aceitável, foi dada por um jovem biólogo marinho, o doutor L.R. Crawshay, do Laboratório de Plymouth da Associação Biológica da Grã-Bretanha. Ele estivera nas Bahamas observando os vagalumes na época de procriação, quando grandes bandos de fêmeas atraem os machos com sua luminescência. Quando o acasalamento ocorre, o macho e a fêmea estouram, deixando cair no mar os ovos fertilizados. O incidente luminoso, que atrai milhares de turistas às praias, não duram mais do que alguns instantes e ocorre um pouco antes da terceira fase lunar.
Crawshay, que conhecia a história da misteriosa luz avistada por Colombo, teve a feliz idéia de consultar um antigo almanaque para descobrir em que fase aencontrava-se a Lua no dia 11 de outubro de 1492 e verificou que ela ainda estava na terceira fase. Julgando a descoberta significativa, pois explica a misteriosa luminosidade, escreveu um texto a respeito, publicado pela revista Nature.
Mas não é apenas o ciclo reprodutivo dos vaga-lumes que recebe os influxos da Lua. Como se sabe, constitui crença bem antiga aquela que estabelece um elo especial entre as mulheres e a Lua, e considera que esta exerce influência direta sobre a fertilidade, a gravidez e o nascimento.
Na antiga Babilônia acreditava-se que a Lua era responsável pela fecundação das mulheres que se dedicavam ao seu culto, cujas crianças denominavam-se, por isso, os filhos da Lua. E no antigo Egito acreditava-se que as mulheres concebiam olhando-a.
A crença universal fundamenta-se no ciclo menstrual feminino, tão intrisecamente ligado à Lua que o termo catamênia, usado para designar o fluxo, provém de duas palavras gregas, kata e men, que significam “pela Lua”. Em francês, o ciclo menstrual é conhecido como coimo “le moment de la Lune”, e na Alemanha os camponeses chamam-no simplesmente de “lua”. Na longínqua Nova Zelândia, os maoris referem-se à mesntruação como “mata marama”, ou doença da Lua. Lá, como na velha Babilônia, acredita-se que a Lua é o verdadeiro pai das crianças. A primeira menstruação de uma jovem seria provocada pela sua união, durante o sono, com a Lua, crença aliás também encontrada entre os índios brasileiros da tribo uaupé.
Um famoso cientista compartilhou da opinião dos povos primitivos da Antugüidade: Charles Darwin. Segundo ele, as coincidências entre os ciclos reprodutivos da mulher e dos animais marinhos provam que as espécies evoluíram das criaturas primitivas do mar e que o ciclo feminino de 28 dias “é um vestígio do passado, quando a vida dependia das marés e, portanto, da Lua.”

OS SAUDÁVEIS BEBÊS DA LUA CHEIA

Um fato confirmado por enfermeiras e parteiras é que as maternidades ficam muito manifestadas na época de Lua cheia. Um obstetra de Roanoke, Virgínia (Estados Unidos), decidiu investigar a exatidão dessas informações, consideradas supersticiosas pelos médicos. Examinou, então, o registro dos nascimentos ocorridos numa maternidade moderna e verificou que 66,7% dos bebês haviam nascido durante, logo antes ou imediatamente depois da Lua cheia. A sua hipótese é de que a Lua poderia afetar o líquido amniótico da mesma forma como influencia as marés. Esses dados foram depois corroborados por um cientista, o doutor Walter Menaker, que analisou mais de 500.000 partos ocorridos em Nova York, de janeiro de 1948 a janeiro de 1957, verificando que a maioria deles havia se dado na Lua cheia. Em 1967, esse mesmo cientista repetiu a contagem de partos ocorridos de janeiro de 1961 a dezembro de 1963, confirmando as estatísticas obtidas anteriormente. Esses dados foram publicados no American Journal of Obstetrics and Gynecology. A crença popular recebia assim o aval da ciência.
Os dados que obteve em seus estudos também levaram o doutor Menaker a concluir que as mulheres concebem com mais facilidade na Lua cheia. Na Europa, os que se ocupam dessa área concluíram que as mulheres concebem mais facilmente na fase lunar em que nasceram. Outros vão mais além, dizendo que, segundo a fase em que foram concebidas, é possível predizer o sexo do bebê!
De acordo com a crença popular dos camponeses europeus, a Lua cheia produz os filhos mais sadios, menos sujeitos a doenças, e isso vale até para os animais. Mas, de todas as crendices, uma das mais estranhas é a de uma tribo da África Central, segundo a qual a alma está situada na placenta. Por isso, quando a rainha tem um filho, conserva-se a placenta até a Lua nova, ocasião em que é colocada ao relento para que, ao minguar, a força da Lua se transfira ao reizinho.
Passando do reino animal para o vegetal, veremos que, pelo menos conforme a opinião dos agricultores, as plantas são também influenciadas pelas fases lunares, e numerosas experiências têm sido feitas nesse setor.
Nos Estados Unidos, alguns agricultores obedecem aos antigos costumes europeus se só plantar batatas na fase que chamam de “Lua velha” e repolhos só na Lua nova. Outros descendentes de imigrantes europeus somente lançam as sementes de vagens na terra quando as pontas da Lua estão viradas para cima, acreditando que assim as plantas se agarram às varas com mais facilidade. Também não plantam batatas quando as pontas estão viradas para baixo, pois acreditam que as raízes se afundariam demais na terra se o fizessem. Preferem ainda plantar os cereais no quarto crescente, acreditando que germinam melhor nessa fase. Os índios brasileiros também só plantam e colhem em certas fases da Lua, a “mãe das plantas” entre eles.
Na Europa, a doutora Lily Kolisko, cooperando com o Instituto Biológico de Stuttgart (Alemanha), fez repetidas experiências na plantação de frutas e verduras, concluindo que o milho produz espigas maiores se plantado dois dias antes da Lua cheia, o mesmo ocorrendo com as sementes de alface, repolho liso e crespo. Mostraram um redimento superior ao das sementes plantadas dois dias antes da Lua nova. Todas essas experiências demonstram que os primitivos não se guiavam tanto pela superstição como se imaginava.

LUNÂMBULOS E LUNÁTICOS

Há muito tempo o povoa credita que a Lua exerce uma marcante influência sobre as chuvas. Entretanto, assim como outros cientistas, os “homens do tempo” não concordavam com essa idéia e só se convenceram dela depois que um grupo estudou o registro de 1.544 estações meteorológicas americanas, desde o ano de 1909, verificando como chovera mais nos dias próximos da Lua nova e cheia. Por coincidência, alguns meteorologistas australianos fizeram um estudo idêntico, relacionado ao hemisfério sul, chegando também à conclusão de que chovia mais naqueles períodos. Quando os cientistas do norte e do sul descobriram que haviam obtido a mesma conclusão, concordaram em publicar conjuntamente suas pesquisas na renomada revista Science. O diretor de um observatório na Inglaterra, cujas pesquisas chegaram a resultados semelhantes, foi um pouco mais além ao dizer que elos inexplicáveis parecem ligar as fases lunares não só às chuvas, aos impactos de meteoritos e às tempestades magnéticas, mas também aos distúrbios mentais!
No livro “Moon Madness” (“Loucura Lunar”), E.L. Abel explica que a palavra “lunambulismo” existe desde 1838, quando era voz corrente que algumas pessoas, induzidas pela Lua cheia, saíam de suas camas e caminhavam sobre os telhados. Depois de narrar o caso de determinado paciente, ele diz que há mais verdades do que se supõe nas crendices do povo, que falam da influência magnética da Lua sobre os que dormem, especialmente agora que estão surgindo novos conhecimentos a respeito de raios, de cuja existência ninguém suspeitava antes. Nesse sentido, cumpre citar as experiências que estão sendo feitas pelo doutor L. W. Max para registrar, através de um eletro miógrafo, a reação dos músculos de pessoas que dormem aos raios e ao luar.
Em seu livro “The Lunar Effect” (“As influências da Lua”), o doutor Arnold L. Lieber – psiquiatra com clínica em Miami, que também exerce funções na Escola de Medicina da Universidade de Miami, Flórida – diz que dois aspectos interessaram-no profundamente: a área que abrange os crimes e a da psiquiatria. Os resultados de suas pesquisas são apresentados não só através da narração de fatos mas também, o que é de grande importância para um estudo sério, por meio de estatísticas e gráficos.
Depois de colher todos os dados, Lieber elaborou gráficos que, por si só, provam o que alguns cientistas de outras partes do mundo já aceitam: a violência cresce durante a Lua nova e chega no seu apogeu na Lua cheia. Dois dos gráficos feitos por Lieber são aqui reproduzidos. O gráfico 1 foi elaborado a partir de dados obtidos no Condado de Dade, na Flórida, e cobre o período de 1956 a 1970, com 1.887 ocorrências. O gráfico 2 refere-se ao Condado de Cuyahoga (Ohio), com 2.008 ocorrências entre 1958 e 1970.


Gráfico 1 e Gráfico 2

A AGRESSIVIDADE HUMANA E O CICLO LUNAR

Há um particular que merece ser observado. O pesquisador usou, na medida do possível, o momento exato em que o crime fora cometido e não a hora em que a vítima morrera, pois o desenlace pode ocorrer logo ou algum tempo após a agressão. Lieber verificou, então, que as agressões violentas eram cometidas dentro de certa periodicidade lunar.
Isso também foi comprovado pelo doutor Edward J. Malmostrom, do Instituto Wright, de Berkeley (EUA), que encontrou estatisticamente uma significativa periodicidade entre os homicídios e suicídios ocorridos no Condado de Alameda, Califórnia, e no de Denver, Colorado, durante os anos de 1956 a 1970. Ele baseou-se igualmente no momento da agressão e não no da morte.
Em cinco estudos feitos em outros pontos dos Estados Unidos, constatou-se, também estatisticamente, um pronunciado aumento de estupros, assaltos, roubos de carros, invasões de domicílios, agressões e tumultos durante a fase da Lua cheia. O nbúmero de admissões em hospitais psiquiátricos também era maior na Lua cheia, havendo ainda comprovação da existência de periodicidade lunar nos casos de agressões auto-infligidas em meio a uma população de pacientes psiquiátricos femininos não hospitalizados. Qual a conclusão dos pesquisadores?
“Existe uma relação entre a agressividade humana e o ciclo sinódico lunar. A agressão pode ser encarada no sentido freudiano, como uma pressão psicológica fundamental, ou pode ser vista como uma função biológica inata, existente em todos os animais, inclusive no homem. Num caso como no outro, pode-se esperar que apresente um padrão periódico, conhecido como ritmo biológico. A evidência indica que existe um ritmo biológico de aproximadamente um mês que se harmoniza com o ciclo lunar” (“The Lunar Effect”).
Que a deusa branca gosta de ser admirada é um fato conhecido. Quando o poeta inglês Robert Graves teve seu livro sobre a Lua rejeitado, o editor que o havia recusado morreu de colapso cardíaco. O segundo, que não só o rejeitou mas ainda escreveu uma carta pouco elogiosa a seu respeito, teve um triste fim: vestiu-se com roupas íntimas femininas e enforcou-se em uma árvore do seu jardim. O editor que o aceitou, porém, não apenas ganhou dinheiro como também a Ordem do Mérito.

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